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Perseguição digital: o que fazer e como se proteger do stalking na internet

  • 6 de jul.
  • 3 min de leitura

O ambiente digital trouxe facilidades para o nosso dia a dia, mas também abriu portas para formas graves de violência psicológica. Um exemplo disso é o stalking (perseguição, em inglês), uma prática que infelizmente destrói a paz e a sensação de segurança de milhares de pessoas, principalmente mulheres, que enfrentam ameaças e monitoramento obsessivo por anos a fio, muitas vezes por parte de ex-companheiros.

uma pessoa na sombra

Desde 2021, a perseguição, seja ela física ou virtual, é considerada crime no Brasil (Artigo 147-A do Código Penal). Quando o crime acontece no ambiente digital, os impactos na saúde mental e na rotina da vítima são devastadores.

Se você está passando por isso ou conhece alguém nessa situação, saiba que existem medidas práticas e legais que podem ser tomadas para interromper o ciclo de abusos. Veja abaixo o que fazer.

1. Não apague nada: reúna provas digitais

O seu primeiro impulso pode ser apagar as mensagens, fotos ou perfis falsos criados pelo perseguidor para se livrar do sofrimento. No entanto, essas mensagens são as suas principais armas legais.

  • Tire prints (capturas de tela): Registre todas as ameaças, comentários, e-mails e tentativas de contato. Certifique-se de que a imagem mostre a data, o horário e, se possível, o número de telefone ou o link (URL) do perfil que está enviando as mensagens.

  • Não altere os arquivos: Mantenha os e-mails recebidos na caixa de entrada e não apague o histórico de conversas do WhatsApp.

  • Ata notarial: Se possível, leve os prints a um Cartório de Notas e solicite uma Ata Notarial. Esse documento tem fé pública e valida judicialmente que aquelas provas digitais são reais e não foram alteradas.

2. Corte totalmente o contato:

Qualquer resposta dada ao perseguidor, mesmo que seja um pedido desesperado para que ele pare ou uma ameaça de processá-lo, serve como combustível para que ele continue o contato.

  • Bloqueie o perfil em todas as redes sociais.

  • Configure as suas contas para o modo "privado", limitando quem pode ver as suas fotos, localizações e publicações apenas a amigos muito próximos e de extrema confiança.

  • Mude as configurações de privacidade do WhatsApp para que apenas os seus contatos vejam a sua foto de perfil e o seu status "online".

3. Faça um boletim de ocorrência e peça ajuda legal:

A perseguição na internet não deve ser minimizada como uma "briga boba". É um crime e precisa ser tratado pela polícia.

  • Registre o boletim de ocorrência (BO): Você pode fazer isso em qualquer delegacia de polícia, mas o ideal é procurar uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ou uma Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos. O BO também pode ser feito online na maioria dos estados.

  • Solicite medidas protetivas: Se o perseguidor for um ex-namorado, ex-marido ou alguém com quem você teve uma relação íntima, você tem direito a solicitar Medidas Protetivas de Urgência baseadas na Lei Maria da Penha. Isso obriga o agressor a manter distância física e proíbe qualquer tentativa de contato por meios digitais.


4. Reforce a sua segurança digital:


Os perseguidores virtuais muitas vezes tentam adivinhar senhas ou clonar contas para continuar o monitoramento.

  • Ative a autenticação em duas etapas: Faça isso no seu e-mail, Instagram, Facebook e WhatsApp. Essa camada extra de segurança impede que o agressor acesse as suas contas mesmo que ele saiba a sua senha.

  • Cuidado com o que publica: Evite fazer postagens em tempo real mostrando onde você está (restaurantes, faculdade, trabalho). Espere sair do local para publicar a foto.


Procure apoio emocional e rede de contatos:


Enfrentar o stalking causa um desgaste emocional profundo, gerando crises de ansiedade, medo e isolamento. Não passe por isso sozinha. Converse com amigos de confiança, avise a sua família sobre o que está acontecendo e procure apoio psicológico profissional. Compreender que a culpa nunca é da vítima é o primeiro passo para recuperar o controle da sua vida.


Canais de denúncia e ajuda:

  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (gratuito, anônimo e funciona 24 horas por dia).

  • Ligue 190: Polícia Militar (em caso de ameaça ou risco imediato).

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