El Niño, ondas de calor e os impactos silenciosos no corpo humano: como as mudanças climáticas afetam a nossa saúde
- 29 de jul.
- 3 min de leitura
O retorno e a intensidade do fenômeno climático El Niño têm colocado governos e especialistas em alerta global. Enquanto o setor econômico calcula os prejuízos com a seca e o risco de quebras de safra no campo, a população enfrenta outra consequência direta e devastadora das temperaturas extremas: os impactos severos do calor excessivo na saúde física e mental.

O aumento atípico das temperaturas globais, potencializado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, altera radicalmente a rotina das cidades e sobrecarrega o organismo humano, transformando o calor extremo em um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade.
O que acontece com o corpo sob calor extremo?
O organismo humano funciona em uma faixa de temperatura interna bastante estreita, em torno dos 36,5 °C a 37 °C. Quando o ambiente atinge temperaturas muito elevadas e a umidade relativa do ar cai ou sobe excessivamente, o corpo precisa trabalhar em dobro para expelir o excesso de calor.
Esse esforço de termorregulação pode sobrecarregar diversos órgãos e gerar uma série de complicações médicas:
Desidratação acelerada: A transpiração excessiva faz o corpo perder não apenas água, mas também sais minerais vitais (como sódio e potássio), provocando tonturas, dores de cabeça, fraqueza e quedas repentinas de pressão.
Sobrecarga cardiovascular: Para resfriar a pele, os vasos sanguíneos se dilatam e o coração precisa bater mais rápido para manter o fluxo de sangue. Em idosos ou pessoas com hipertensão e problemas cardíacos, essa exigência extra aumenta consideravelmente o risco de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
Insolação e intermação (heatstroke): Ocorre quando o mecanismo de suor falha e a temperatura corporal ultrapassa os 40 °C. É uma emergência médica grave que pode causar confusão mental, convulsões e falência múltipla de órgãos se não for tratada imediatamente.
Agravamento de doenças respiratórias: O calor extremo frequentemente vem acompanhado de ar seco e aumento da poluição, piorando quadros de asma, bronquite, rinite e alergias respiratórias.
Grupos mais vulneráveis:
Embora o calor afete a todos, certas faixas da população demandam atenção redobrada durante episódios de temperaturas elevadas:
Crianças e bebês: Possuem um sistema de termorregulação ainda imaturo e desidratam com muito mais facilidade do que os adultos.
Idosos: Têm menor percepção de sede e capacidade reduzida de transpiração, além de frequentemente fazerem uso de medicações contínuas que interferem no equilíbrio hídrico.
Trabalhadores ao ar livre: Profissionais da construção civil, entregadores e agricultores expostos diretamente ao sol enfrentam riscos elevados de exaustão térmica.
Dicas práticas para proteger a saúde em dias de calor intenso
Diante de períodos de calor prolongado impulsionados pelo El Niño, adotar cuidados preventivos simples na rotina diária faz toda a diferença para manter a saúde e o bem-estar:
Beba água constantemente: Não espere sentir sede para se hidratar. Mantenha garrafas de água sempre por perto e complemente com água de coco e sucos naturais.
Adapte a alimentação: Opte por refeições leves, ricas em frutas, legumes e verduras. Evite alimentos gordurosos e pesados, que exigem maior esforço digestivo e aumentam a temperatura corporal.
Busque ambientes ventilados e à sombra: Evite a exposição direta ao sol nos horários de maior radiação (entre 10h e 16h) e mantenha janelas abertas para circulação do ar.
Use roupas adequadas: Priorize tecidos leves, claros e respiráveis (como algodão e linho), e não se esqueça do protetor solar, chapéu e óculos de sol.
O avanço dos eventos climáticos extremos reforça que o cuidado com a saúde não depende apenas de remédios, mas também de adaptações no nosso estilo de vida e do fortalecimento das políticas de proteção às populações mais expostas.
Como você costuma se proteger durante os dias de calor intenso na sua região? Deixe o seu comentário com as suas dicas e compartilhe este artigo para conscientizar amigos e familiares!




Comentários